quarta-feira, 30 de junho de 2010

E se um asteróide...

E se um asteróide fosse se chocar com a Terra, e não houvesse nada a fazer para evitar o nosso fim? Como nos comportaríamos?
Nos convenceríamos, finalmente, de que somos uma única espécie frágil num planeta precário e viveríamos nossos últimos anos em fraternidade e paz, ou reverteríamos ao nosso cerne básico e calhorda, agora sem qualquer disfarce? Nos tribalizaríamos ainda mais ou descobriríamos nossa humanidade comum, e como eram ridículas as nossas diferenças? Jogaríamos nosso dinheiro fora ou cataríamos o dinheiro que os outros jogassem fora, pensando na remota possibilidade de comprar um lugar no último foguete americano a deixar a Terra antes do impacto? Perderíamos todo o interesse nos prazeres da carne e trataríamos de salvar a nossa alma ou, pelo contrário, nos entregaríamos à lascívia, ao deboche e à gula, ultrapassando, às gargalhadas, todos os nossos limites orçamentários?
Como os cientistas nos diriam até o segundo exato do choque com o asteróide com alguns meses de antecedência, seríamos a primeira geração sobre a Terra a viver com a certeza universal e pré-medida do seu fim - e a última, claro. Muitas seitas através da história e até hoje estabeleceram a hora e o modo de o mundo acabar e se prepararam para o evento. Nós seríamos os primeiros com evidência científica do fim, em vez de crença, o que nos levaria a tratar a ciência como hoje muitos tratam as crenças. Pois só a desmoralização total da ciência, só chamar o sistema métrico de ocultismo e termodinâmica de feitiçaria, nos daria a esperança de que os cálculos estivessem errados e o asteróide, afinal, passaria longe.
Se existissem foguetes salvadores e bases na Lua e em Marte esperando os sobreviventes, estaríamos diante de outra situação "Titanic". Quem vai nos foguetes? (Nada de mulheres e crianças - intelectuais primeiro!) Tem que ser americano? Quanto custaria uma terceira classe? Aceitam cartão?
Nós finalmente nos conheceríamos - e seria tarde.

Luis Fernando Veríssimo

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Recomendo!

Blumenau, em sua vasta extensão territorial, abrange um grande número de bares. Já frequentei um bom número deles, mas um dos mais adoráveis é o que eu "descobri" na última sexta-feira: O Rock Bola Bar. Um lugar aconchegante, que tem a combinação perfeita do futebol com a o rock. Um ótimo atendimento, pessoas simpáticas e bonitas, decoração e iluminação muito bem planejados... Enfim, um ambiente que agradará à todos, com certeza.
Fica o site aí, pra quem quiser conhecer o lugar:
 http://www.rockbolabar.com/

sábado, 26 de junho de 2010

Ah, as férias...

Há quem as ame. Há quem as odeie.
Fico no meio termo. Como todas as coisas da vida, as férias possuem seus altos e baixos, seus aspectos positivos e negativos.
Fiquei mau-humorada e deprimida com o início das férias, pois admito que acho-as extremamente monótonas, porque não há muito o que fazer. Sinto falta de conversar com o pessoal da faculdade, do barulho, da responsabilidade de ter que fazer algo. Meus amigos só podem conversar comigo por telefone já que, ao contrário de mim, eles não têm alguns dias de folga. Posso conversar com meus pais, mas... Ah, eles eu vejo todos os dias, já não tem mais graça! Resta-me somente as paredes brancas e meu gato preto.
Porém, um belo dia - para ser mais específica, ontem, sexta-feira, dia 25 de junho de 2010 - acordei e percebi que estava desperdiçando este tempo precioso que eu tenho de folga. Oras, eu tenho o privilégio de possuir 24 horas e poder fazer o que bem entender com elas!
E, a partir desse momento, resolvi observar somente o lado bom da situação. Então, agora posso colocar minha leitura em dia, assistir as minhas séries favoritas, ver todos os filmes que pretendia, estudar, ir ao cinema, ao parque, praticar mais meditação e yoga, conhecer todos os novos bares que abriram na cidade, dormir um moooonte, entre outras coisas.
Enfim, posso usufruir de momentos maravilhosos nesses dias de ócio.
Agora com licença, preciso viver! :)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

OM

OM é o símbolo universal do Yôga, para todo o mundo, todas as épocas e todos os ramos de Yôga.
Aquele desenho semelhante ao número 30 que aparece em quase todos os livros e entidades de Yôga, é uma sílaba constituída por três letras: A, U e M. Pronuncia-se OM. Um erro comum aos que não conhecem Yôga, é pronunciar as três letras, AUM. Traçado em caracteres, é um yantra. Pronunciado, é um mantra. Há inúmeras maneiras de pronunciá-lo para se obter diferentes resultados físicos, energéticos, emocionais e outros.

OM não tem tradução. Contudo, devido à sua antiguidade e amplo espectro de efeitos colhidos por quem o vocaliza de forma certa, ou o visualiza com um traçado correto, os hinuds o consideram como o próprio nome do Absoluto, seu "corpo sonoro".

Em todas as escrituras da Índia antiga o OM é considerado como o mais poderoso de todos os mantras. Os outros são considerados aspectos do OM, que é a matriz de todos os demais mantras. É denominado mátrika mantra, ou som matricial.

Não podemos negar que o OM seja um símbolo muito poderoso. Ele é forte pelo seu traçado yântrico em si, pela sua antiguidade, seus milhares de anos de impregnação no inconsciente coletivo, pelos bilhões de hindus que o usaram e veneraram, geração após geração, durante dezenas de séculos, desde muito antes de Cristo, antes de Buddha, antes da civilização europeia existir e, durante esse tempo todo, toda essa gente fortaleceu a egrégora do OM.

(Mestre DeRose - Yôga Mitos e Verdades, p. 286-288)


sexta-feira, 18 de junho de 2010

...

"Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento."
Machado de Assis

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Crônica...

"A crônica é uma forma contemporânea de filosofar."
(Artur da Távola)

A palavra crônica deriva do latim chronica, que significa "relato de acontecimentos em ordem cronológica".

Crônica é uma narração, que é desenvolvida, geralmente, em 1ª pessoa. Isso faz com que haja um "diálogo" do escritor com o leitor. É um gênero literário produzido para livros e jornais, principalmente. Geralmente, apresentam linguagem simples, espontânea, situada entre a linguagem oral e a literária. Normalmente, a crônica possui uma crítica indireta, além de muitas vezes ser escrita em um tom humorístico.

Dentre os muitos cronistas brasileiros, pode-se destacar: Rubem Braga, Fernando Sabino, Luis Fernando Veríssimo, Millôr Fernandes, Martha Medeiros etc.

A mulher do vizinho - Fernando Sabino

Contaram-me que na rua onde mora (ou morava) um conhecido e antipático general de nosso Exército morava (ou mora) também um sueco cujos filhos passavam o dia jogando futebol com bola de meia. Ora, às vezes acontecia cair a bola no carro do general e um dia o general acabou perdendo a paciência, pediu ao delegado do bairro para dar um jeito nos filhos do sueco.
O delegado resolveu dar uma chamada no homem, e intimou-o a comparacer à delegacia.
O sueco era tímido, meio descuidado no vestir e pelo aspecto não parecia ser um importante industrial, dono de grande fábrica de papel (ou coisa parecida), que realmente ele era. Obedecendo a ordem recebida, compareceu em companhia da mulher à delegacia e ouviu calado tudo o que o delegado tinha a dizer-lhe. O delegado tinha a dizer-lhe o seguinte:
- O senhor pensa que só porque o deixaram morar neste país pode logo ir fazendo o que quer? Nunca ouviu falar numa coisa chamada AUTORIDADES CONSTITUÍDAS? Não sabe que tem de conhecer as leis do país? Não sabe que existe uma coisa chamada EXÉRCITO BRASILEIRO que o senhor tem de respeitar? Que negócio é este? Então é ir chegando assim sem mais nem menos e fazendo o que bem entende, como se isso aqui fosse a casa da sogra? Eu ensino o senhor a cumprir a lei, no duro: dura lex! Seus filhos são uns moleques e outra vez que eu souber que andaram incomodando o general, vai tudo em cana. Morou? sei como tratar gringos como o senhor.
Tudo isso com voz pausada, reclinado para trás, sob o olhar de aprovação do escrivão a um canto. O sueco pediu (com delicadeza) licença para se retirar. Foi então que a mulher do sueco interveio:
- Era tudo que o senhor tinha a dizer ao meu marido?
O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento.
- Pois então fique sabendo que eu também sei tratar tipos como o senhor. Meu marido não é gringo nem meus filhos são moleques. Se por acaso incomodaram o general, ele que viesse falar comigo, pois o senhor também está nos incomodando. E fique sabendo que sou brasileira, sou prima de um major do Exército, sobrinha de uma coronel e FILHA DE UM GENERAL! Morou?
Estarrecido, o delegado só teve forças para engolir em seco e balbuciar humildemente:
- Da ativa, minha senhora?
E ante a confirmação, voltou-se para o escrivão, erguendo os braços desalentado:
- Da ativa, Motinha! Sai dessa...