sexta-feira, 7 de maio de 2010

A viajante

Com franqueza, não me animo a dizer que você não vá.
Eu, que sempre andei no rumo de minhas venetas, e tantas vezes troquei o sossego de uma casa pelo assanhamento triste dos ventos da vagabundagem, eu não direi que fique.
Em minhas andanças, eu quase nunca soube se estava fugindo de alguma coisa ou caçando outra. Você talvez esteja fugindo de si mesma, e a si mesma caçando; nesta brincadeira boba passamos todos, os inquietos, a maior parte da vida - e às vezes reparamos que é ela que se vai, está sempre indo, e nós (às vezes) estamos apenas quietos, vazios, parados, ficando. Assim estou eu. E não é sem melancolia que me preparo para ver você sumir na curva do rio - você que não chegou a entrar na minha vida, que não pisou na minha barranca, mas, por um instante, deu um movimento mais alegre à corrente, mais brilho às espumas e mais doçura ao murmúrio das águas. Foi um belo momento, que resultou triste, mas passou.
Apenas quero que dentro de si mesma haja, na hora de partir, uma determinação austera e suave de não esperar muito; de não pedir à viagem alegrias muito maiores que a de alguns momentos, Como este, sempre maravilhoso, em que no bojo da noite, na poltrona de um avião ou de um trem, ou no convés de um navio, a gente sente que não está deixando apenas uma cidade, mas uma parte da vida, uma pequena multidão de caras e problemas e inquietações que pareciam eternos e fatais e, de repente, somem como a nuvem que fica para trás. Esse instante de libertação é a grande recompensa do vagabundo; só mais tarde ele sente que uma pessoa é feita de muitas almas e que várias, dele, ficaram penando na cidade abandonada. E há também instantes bons, em terra estrangeira, melhores que o das excitações e descobertas, e as súbitas visões de belezas sonhadas. São aqueles momentos mansos em que, de uma janela ou da mesa de um bar, ele vê, de repente, a cidade estranha, no palor do crepúsculo, respirar suavemente como velha amiga, e reconhece que aquele perfil de casas e chaminés já é um pouco, e docemente, coisa sua.
Mas há também, e não vale a pena esconder nem esquecer isso, aqueles momentos de solidão e de morno desespero; aquela surda saudade que não é de terra nem de gente, e é de tudo, é de um ar em que se fica mais distraído, é de um cheiro antigo de chuva na terra da infância, é de qualquer coisa esquecida e humilde - torresmo, moleque passando na bicicleta assobiando samba, goiabeira, conversa mole, peteca, qualquer bobagem. Mas então as bobagens do estrangeiro não rimam com a gente, as ruas são hostis e as casas se fecham com egoísmo, e a alegria dos outros que passam rindo e falando alto em sua língua dói no exilado como bofetadas injustas. Há o momento em que você defronta o telefone na mesa da cabeceira e não tem com quem falar, e olha a imensa lista de nomes desconhecidos com um tédio cruel.
Boa viagem e passe bem. Minha ternura vagabunda e inútil, que se distribui por tanto lado, acompanha, pode estar certa, você.

Rubem Braga.


OBS.: um pouco extensa, mas uma bela crônica que merece ser lida e relida.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Anjos protetores

Por mais que digam que a obrigação dos pais seja dar amor e proteção aos seus filhos, todos sabem que, na prática, nem sempre isso acontece.
Todos os dias, vemos nos noticiários, casos absurdos de mães que abandonam seus bêbes recém-nascidos, pais que estupram suas filhas ou que espancam aqueles que deveriam ser seus maiores tesouros.

Porém, em meio à todas essas situções sem sentido, ainda conseguimos encontrar famílias que preservam, à qualquer custo, o bem dos seus pequenos.
E eu, particularmente, fui abençoada pelo papai do céu.
Fui colocada num lar cheio de amor, com pais que, além de me darem todo o conforto para viver bem, me dão conselhos, oportunidades, confiança, respeito, paz.
As palavras são poucas para expressar tamanha gratidão que tenho por esses seres tão iluminados. Só posso dizer...

PAI, postura de um grande homem. Exemplo de um grande pai.

MÃE, anjo de amor, bondade e perseverança

AMO VOCÊS !


quarta-feira, 5 de maio de 2010

Mapa do meu nada

"Doido desejo chupando dedo num beco
cheio de bêbados, trêbados
Chutando os prédios, pregando prego no prego
Réu da razão do suplico, cuspe fútil
Nessa estrada cariada
Só você é o meio-fio de luz
Contramão sinalizada
No mapa do meu nada
Canção emocionada
Trajeto por teus fios"
Cássia Eller

terça-feira, 4 de maio de 2010

Os sons da vida

A música alivia os corações desesperados, dá ânimo para os seres cabisbaixos, renova as energias dos que já não têm mais esperança.

Os sons possuem o incrível poder de alterararem humores, pensamentos, expressões, sentimentos...
E quando refiro-me à música, não pense somente nos gêneros musicais, mas sim, nos sons mais belos e puros do mundo: os sons da vida!

O riso que contagia, o choro que alivia, o grito que extravaza, os sons de um bêbe que comove sua mãe, o barulho das ondas que faz nossa mente flutuar, o som do vento que faz nosso corpo se arrepiar, o simples eu te amo que faz nosso coração disparar.
São esses os principais sons, a música que ouvimos ou queremos ouvir todos os dias. Mas estamos tão ocupados, que pouquíssimas vezes nos damos conta da orquestra magnífica que é a vida, e o melhor: que cada um de nós somos os maestros de nossa própria sinfonia.

"A música está em tudo. Do mundo sai um hino." (Victor Hugo)

domingo, 2 de maio de 2010

A diferença entre força e coragem

É preciso ter força para ser firme, mas é preciso coragem para ser gentil.
É preciso ter força para se defender, mas é preciso coragem para baixar a guarda.
É preciso ter força para ganhar uma guerra, mas é preciso coragem para se render.
É preciso ter força para estar certo, mas é preciso coragem para ter dúvida.
É preciso ter força para manter-se em forma, mas é preciso coragem para ficar de pé.
É preciso ter força para sentir a dor de um amigo, mas é preciso coragem para sentir as próprias dores.
É preciso ter força para esconder os próprior males, mas é preciso coragem para demonstrá-los.
É preciso ter força para suportar o abuso, mas é preciso coragem para fazê-lo parar.
É preciso ter força para ficar sozinho, mas é preciso coragem para pedir apoio.
É preciso ter força para sobreviver, mas é preciso coragem para viver.

sábado, 1 de maio de 2010

Quero...

Quero todo teu espaço,
e todo teu tempo.
Quero todas as tuas horas.
e todos os teus beijos.
Quero toda a tua noite,
e todo teu silêncio.
Quero toda tua sede,
e todo teu fogo.
Quero todos teus astros,
e todo teu céu.
Quero todo teu sol,
e toda tua alvorada.
Quero todo teu amor,
e toda tua alma.
Quero todo teu tudo,
e todo teu nada.


Pablo Neruda

Quero apenas cinco coisas:
Primeiro é o amor sem fim.
Segundo é ver o outono.
A terceira é o grave inverno.
Em quarto lugar o verão.
A quinta coisa são teus olhos.
Não quero dormir sem teus olhos
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que
continues me olhando.