quarta-feira, 27 de julho de 2011

Sabe o que eu quero dessa vida?

Eu quero conhecer Lisboa, seus bondes, seus becos, suas casas simetricamente iguais.

Quero ler milhares de livros até o fim dos meus dias.

Quero transformar vidas como professora.

Quero sobreviver dignamente como educadora.

Quero dar aos meus pais a mesma estabilidade que eles me deram quando eu criança.

Quero ter uma casa no campo, com um pomar com pés de laranja e tangerina, uma horta, uma varandinha com uma cadeira de balanço para eu me sentar nos finais de tarde e apreciar o fim de um dia lendo um bom livro.

Quero, também, uma casinha na praia, com uma janela com vista para o mar. 

Quero acordar ouvindo o barulho do mar, sentir a brisa fresca no meu rosto, passar as tempestades de verão olhando para o mar revolto e para os trovões e sentir paz.

Quero escrever livros e ser cumprimentada por alguém que os leu, e que diga: "bonito trabalho, suas palavras me servem de apoio, de incentivo..."

Quero curtir finais de tarde com os meus grandes amigos em um bar, bebendo e contando sobre como foi nosso dia, relembrando velhas e boas histórias, e planejando um fim de semana na praia.

Quero ter uma garrafa de uísque e usá-la com consciência nos melhores momentos, aqueles em que minha cabeça está conturbada e só me resta um papel, uma caneta e uma dose.

Quero casar vestida de branco.

Quero que a igreja seja decorada com lírios brancos.

Quero que meu marido seja o meu maior amor, meu amante, meu melhor amigo, meu fiel companheiro.

Quero ter a fórmula de fazer com que meu Benji preto viva comigo até o meu último dia e morra junto comigo.

Quero ter uma coleção de CDs de música instrumental.

Quero ter saúde.

Quero ter coragem, hoje e sempre. 

Quero um dia poder dizer: MISSÃO CUMPRIDA!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

E tem um fragmento de alguma obra do Caio Fernando Abreu em que ele diz: Talvez eu precise de férias, um porre e um novo amor.
E outro ainda: Você começa a precisar de outros lugares. E de outras pessoas. E de bebidas mais fortes.

Em suma, essas duas frases refletem o desejo momentâneo de mudar, de não suportar mais o atual presente e querer, ou melhor, precisar de um tempo para arejar a mente, de se afastar de todos aqueles que estão ao seu redor todo o tempo. O desejo de tomar um belo porre e esquecer tudo e todos!

Eu estava assim nos últimos tempos. Eram poucos os que eu suportava. Na real, nem a mim eu suportava! Tudo parecia tão monótono, os dias eram tão arrastados. Nada acontecia, eram sempre aquelas responsabilidades rotineiras batendo a porta logo que o sol raiava. Nem dormindo eu conseguia ficar tranquila. Foram dias com muitos pesadelos, acredite!

O meu erro foi não ter recorrido a nada nem a ninguém. Deixei as trevas tomarem conta dos meus pensamentos e o mau-humor e a impaciência foram as consequências.

Houve um belo dia de sol, porém, em que tudo mudou: conheci algumas pessoas. Novas caras, novos sorrisos, novas relações. Isso me fez querer mudar a atual situação em que se encontrava minha vida.
Havia um problema maior, porém: já estava tão afundada em tal estado de insatisfação com o mundo que não sabia como me reerguer.

Surgiu uma luz: livros. Ah!, esses meus eternos companheiros sempre me salvam! Caio Fernando foi meu salvador. Ele era tão humano para entender tudo o que se passa dentro de uma pessoa e ao tempo tão divino para conseguir escrever toda essas complexidades do íntimo humano. 

Suas palavras começaram a mudar meus pensamentos, abriram meus olhos. 

O que fiz depois disso?

Comecei a perceber que não precisava de novos lugares ou de outras pessoas. O meu lugar sempre foi aqui, onde estou. Estou no meu lar, no lugar que cresci, imersa no meu passado construindo meu presente. 
As pessoas que estão ao meu lado, hoje, são aquelas que eu escolhi a dedo para caminharem comigo. As que eu não suporto, não confio, não respeito, não se aproximam de mim, estão há quilômetros de distância. Quem eu quero, quem eu preciso, está aqui. Não preciso de outras, muito obrigada!

Parei com essa mania de ver minha forma de viver como precária, "pobre". Se ela me faz tão bem, para quê questionar? Perdi muito tempo com essa de "invejar" a grama verde do vizinho ao invés de regar e cuidar da minha. 

Isso aí, viver é a palavra de ordem. Hoje e sempre! Sinto-me em paz, da forma como sempre quis e busquei. E eu te digo, colega, isso é muito bom! =)

Ah!, e quanto às férias e aos porres, desses eu já me assegurei de que de fato acontecessem, hahaha!


E Caio, seja lá onde você estiver, tenho que dizer: obrigada por me entender, obrigada por entender esse ser tão complexo chamado ser humano.